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Três perguntas para Eduardo Biavati, consultor em segurança no trânsito e diretor da Em Trânsito Consultoria

Publicado em segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Newsletter - 18/02/2019 - 69ª Edição

Profundo conhecedor das questões relacionadas à segurança no trânsito e com uma sólida trajetória de consultoria para os setores público e privado, Eduardo Biavati avalia que o crescimento da frota de motos no país não veio acompanhado de medidas capazes de absorver de maneira adequada o impacto trazido pelos novos condutores no ambiente viário. Biavati é ex-assessor técnico da Companhia Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) e diretor da Em Trânsito Consultoria, empresa especializada em projetos de educação, treinamento e capacitação de gestores e produção de campanhas públicas.

Segundo Eduardo, o aumento da quantidade de motocicletas em circulação pode ser explicado pelo acesso facilitado ao financiamento, movimento que se intensificou ainda mais em razão das deficiências do sistema de transporte coletivo, beneficiando especialmente a população de baixa renda. Na opinião do consultor, a educação para o trânsito, por si só, não resolve o problema das mortes decorrentes de acidentes com motos. “É preciso que iniciativas nesse campo sejam acompanhadas da intensificação da fiscalização”, defende.

Confira abaixo a entrevista completa:

Os acidentes com motos continuam a liderar a estatística das mortes no trânsito, respondendo pela maioria das indenizações do Seguro DPVAT. Como explicar essas ocorrências, que são crescentes?
Há duas décadas, não havia a quantidade de motos que existem hoje em circulação. Mas, ao longo dos últimos anos, vivemos um aumento exponencial da frota de motocicletas em todo o país, decorrente, principalmente, da expansão da renda e do crédito. As motos vieram preencher uma lacuna – a ineficiência do transporte coletivo – facilitando a vida da população de baixa renda, que, tradicionalmente, depende desse tipo de transporte para se locomover. O acesso às motos trouxe, inclusive, ganhos econômicos para seus usuários. Por outro lado, não houve preparação para que fosse possível absorver as motos no sistema viário. Isso se verifica tanto no aspecto da formação dos condutores, que é extremamente falha, quanto no ambiente das vias, uma vez que toda a sinalização existente, por exemplo, é voltada para os automóveis.

Qual o perfil desse condutor?
Ao contrário do que se costuma dizer, os motoboys são uma pequena parcela das vítimas fatais ou com sequelas permanentes, decorrentes de acidentes de trânsito. Quando trabalhei para a CET-SP, identificamos que metade dos acidentes com motos ocorriam à noite. Nesse horário, os motoboys não trabalham. Esse grupo de condutores era formado por todos os tipos de pessoas: aposentados, donas de casa, profissionais das mais diversas áreas. Muitas campanhas erraram o alvo, portanto.

No Brasil, a legislação é suficientemente rígida ou ainda é necessário criar novos mecanismos legais que contribuam para a redução de acidentes de trânsito? Como enfrentar esse problema?
A melhoria da formação, por si só, não garante a redução de acidentes. Iniciativas para capacitação de condutores e de educação para o trânsito só funcionam se estiverem integradas a uma fiscalização mais rígida. No Brasil, ela é feita por agentes de trânsito, que só podem atuar na presença de um policial militar. Ou seja, ou a fiscalização não ocorre ou o que temos é uma operação policial e não de trânsito, propriamente. Em Barcelona, por exemplo, houve uma grande reestruturação de vias e cruzamentos, de modo a ampliar a visibilidade e reduzir acidentes. Se a gente não pode resolver dessa forma, com a melhor engenharia de tráfego, a saída é intensificar a fiscalização. Não tem outra maneira.




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