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Três perguntas para Sandro Reginaldo, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot)

Publicado em segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Newsletter - 09/09/2019 - 97ª Edição

Atenta ao aumento do uso da bicicleta nas grandes cidades e ao crescimento do número de internações por acidentes envolvendo ciclistas, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) lançou, no Dia do Ciclista, comemorado dia 19 de agosto, a Campanha Bicicleta Segura. O presidente da Comissão de Campanhas Públicas e Médico Ortopedista Titular da Sbot, Sandro Reginaldo, conta que a campanha, desenvolvida até o último dia 31, teve por objetivo orientar as pessoas na prevenção de lesões em acidentes envolvendo bicicletas. Sob o lema “Pedale com Consciência”, a iniciativa, de âmbito nacional, chamou a atenção para a necessidade de uso de dispositivos de proteção e de obediência às leis do trânsito. As recomendações incluem usar sempre capacete, luvas e óculos; usar sempre luz branca na frente e vermelha atrás; andar em uma velocidade compatível à via; não ultrapassar o sinal vermelho; usar sempre calçados fechados para pedalar; e seguir a orientação ergonômica para evitar possíveis problemas no joelho. Confira a entrevista.

A SBOT acaba de desenvolver a campanha Bicicleta Segura. Qual o objetivo da iniciativa?

É uma iniciativa que visa a estimular o uso da bicicleta por todos os benefícios que ela traz: não é poluente, faz bem à saúde, melhora a mobilidade urbana. A SBOT estimula a prática da bicicleta mas, ao mesmo tempo, tem de alertar para que não haja aumento no número de acidentes. O objetivo da campanha é harmonizar a bicicleta dentro do trânsito, porque , assim, as pessoas vão se sentir mais seguras e estimuladas a usar a bicicleta.

Vocês produzem algum tipo de estatística sobre acidentes envolvendo ciclistas? Quais as lesões mais comuns?

Somente no ano passado, 11.741 brasileiros foram internados por envolvimento em acidentes com bicicleta, gerando custo superior a R$ 14 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). A prática do ciclismo aumentou muito nas grandes cidades, motivada pelo baixo custo, a rapidez, praticidade, saúde e preocupação ambiental. Por outro lado, pelo fato das cidades, em sua maioria, não terem estrutura para o ciclismo e também porque as pessoas não têm orientações para entender a bicicleta como um esporte, a atividade pode acabar trazendo problemas. As fraturas mais comuns quando o ciclista cai da bike são da clavícula, na região do ombro. A articulação do ombro é aquela que é mais comprometida nas quedas. Mas não há, no Brasil, dados referentes a ciclistas que ficaram com sequelas irreparáveis e que, muito provavelmente, incluem traumas na cabeça, coluna, pernas e braços, que resultaram em afastamento do trabalho, perda da capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia e, até mesmo, pedalar. A cada dois dias, pelo menos, um ciclista internado em hospital público de São Paulo morre vítima de acidente de trânsito. As principais causas de acidentes são embriaguez de motoristas de automóvel, desrespeito às leis de trânsito e bicicletas no mesmo espaço que outros veículos.

Como reduzir acidentes de trânsito envolvendo ciclistas?

Em primeiro lugar é preciso levar informação, como fizemos com essa campanha, cujo lema, “Pedale com Consciência", tem o propósito de evitar que fraturas e outras lesões ocorram. O uso de dispositivos de proteção tais como capacete, protetores de punho, de cotovelos e de joelhos, apesar de não ser obrigatório por lei, é altamente recomendado, lembrando, no entanto, que simplesmente o fato de usá-los não reduz o risco de acidentes. É preciso ter atenção redobrada às leis de trânsito. O ciclista não pode ficar fazendo zigue-zague na frente dos carros, não pode empinar a bicicleta em uma roda, tem que seguir sempre na mão, não pode andar em cima da calçada. Esses são cuidados que o ciclista tem de ter. É fundamental, ainda, que os motoristas de outros veículos também respeitem as regras de trânsito. Por isso, a campanha não se prendeu apenas aos ciclistas. Indiretamente, ela é importante para o motorista de automóveis, ônibus e caminhões, porque os acidentes graves que ocorrem nas cidades são principalmente causados por esses condutores de veículos. Os acidentes são de grande monta e, geralmente, ocorrem à noite, vitimando em especial ciclistas que pedalam em grupo.

A SBOT é uma associação nacional de especialidade médica, unidade conveniada da Associação Médica Brasileira (AMB), responsável por congregar os especialistas em Ortopedia e Traumatologia. Conheça mais em: https://sbot.org.br/



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