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Três perguntas para Marcelo Bertolucci, presidente do Detran-RJ

Publicado em segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Newsletter - 14/10/2019 - 102ª Edição

Em média, seis pessoas morreram e 75 ficaram feridas por dia em decorrência de acidentes de trânsito, no estado do Rio de Janeiro, no ano de 2018. No total, foram 1.957 vítimas fatais e 27.520 pessoas lesionadas no período. Os números fazem parte do Dossiê Trânsito 2019, estudo realizado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), em parceria com o Detran-RJ. O levantamento, que está na terceira edição, tem o objetivo de apresentar dados estatísticos referentes às principais questões relacionadas ao trânsito no estado, como acidentes fatais e não fatais, volume e tipo de infrações. Numa análise histórica, o Dossiê aponta que, no período de 2003 a 2018, observou-se uma tendência decrescente do número de vítimas fatais nos acidentes ocorridos no estado do Rio de Janeiro. Em 2018, houve, aproximadamente, 11 vítimas fatais para cada 100 mil habitantes, número similar aos dos anos de 2015 (10,8 vítimas) e 2016 (10,7 vítimas), mantendo-se estável, apesar da variação positiva do ano de 2017 (12,5 vítimas). Os dados são compatíveis com as estatísticas do Seguro DPVAT: em 10 anos, houve redução de 40% no número de indenizações por morte no estado, que saíram de 4.234, em 2009, para 2.547, em 2018. O presidente do Detran-RJ, Marcelo Bertolucci, acredita que ações educativas e preventivas são o melhor caminho para tornar o trânsito mais seguro. “Mudanças culturais têm resultados no médio e longo prazo. Apostamos nisso”, diz. Para saber mais sobre o Dossiê Trânsito 2019 e conhecer as iniciativas do Detran-RJ para reduzir o número de acidentes de trânsito, confira a entrevista completa.

1- O Dossiê Trânsito 2019 aponta que os acidentes com vítimas fatais correspondem a 9,6% de todas as mortes do estado (incluindo as por causas naturais ou externas, como mortes violentas por arma de fogo) vitimando, principalmente, condutores jovens e adultos e pedestres idosos. Como o Detran-RJ vem atuando para tornar o trânsito mais seguro?

O Detran tem feito ações frequentes de conscientização que, na nossa opinião, é a melhor conduta para mudar o hábito e a cultura da população. O setor de Educação do Detran é o responsável por conduzir esse trabalho, de forma didática, lúdica e também através das crianças. Elas ajudam muito porque o adulto sempre gosta de dar o exemplo. Com as crianças cobrando, a resposta é muito mais eficaz. Essas ações são feitas nas ruas, diretamente com a população. Também utilizamos a publicidade para poder ter alcance de massa. Fizemos duas campanhas em plataformas online, rádios e TVs este ano. São iniciativas importantes porque lembram o espectador da necessidade da direção defensiva e da sua responsabilidade no trânsito, até que ele fixe a mensagem. Mudanças culturais têm resultados no médio e longo prazo. Apostamos nisso.

2 - Houve um aumento do número de infrações registradas no estado no período pesquisado. Quais as infrações mais comuns? Há correlação entre infrações e número de acidentes fatais?

Houve redução de 4% de infrações aplicadas em 2018, em relação ao ano anterior. As dez infrações mais comuns registradas foram, nesta ordem: Excesso de Velocidade, estacionamento irregular, direção perigosa, avanço de sinal vermelho, não identificação do condutor infrator, deixar de efetuar o Registro de Veículos em 30 dias, registro do veículo irregular, dirigir utilizando o telefone celular, não utilizar o cinto de segurança e bloquear veículo com via. Não é possível afirmar categoricamente que o aumento ou redução das infrações causou direta ou indiretamente a diminuição do número de vítimas de homicídios culposo de trânsito porque depende do tipo de infração e da gravidade que essa ação promove. Por exemplo, a segunda infração mais cometida é o estacionamento irregular, item que não acarreta, a priori, perigo à vida. Também podemos afirmar que ao longo dos últimos anos, com as diversas campanhas educativas realizadas, tem havido redução no índice de mortalidade no trânsito. Por exemplo, de 2016 para 2018 houve ‘estabilidade’ no nível de mortalidade no trânsito. No entanto, esta estabilidade custou a vida de 1.957 pessoas. De qualquer forma, é incontestável que estes índices, número de infrações e vítimas fatais, são fortemente correlacionados e é preciso sempre combater infrações que ponham a vida em risco. Por exemplo, o excesso de velocidade e a condição dos itens de segurança do veículo, como pneus, faróis e limpadores de para-brisas.

3 - O estado do Rio é referência na aplicação da Lei Seca, que completou 10 anos. A legislação se mantém atual ou ainda precisa de ajustes?

A legislação de trânsito é elaborada no âmbito federal. No estado do Rio há também duas leis específicas de aplicação no nosso território. O Detran preza e cumpre todas. Avalio que o conjunto é bom e moderno, adequado à nossa realidade. Por exemplo, a modernização das regras para inibir o uso do celular no trânsito. Podemos dizer que está prática estava virando uma ‘epidemia’, quando os telefones móveis ficaram menores e mais leves. Houve a mudança na legislação, tornando-a mais dura, o que freou o uso – embora ainda haja flagrantes desta infração. Outro ponto são as regras que permitem a vigilância sobre a qualidade do veículo. Preserva vidas ter um veículo com as setas funcionando perfeitamente, ou possuir devidamente os retrovisores, ou ainda não ter o vidro trincado. Por isso, diariamente realizamos a operação Detran Seguro. A verificação da alcoolemia, que é feita pela Operação Lei Seca é também suportada e apoiada pelo Detran. Enxergamos esta ação como vital, em especial nas noites e nos fins de semana. Os resultados das pesquisas nos últimos anos mostram que as ações preventivas são o caminho certo e que devemos insistir neles.

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